
A gastronomia pode ser uma das alternativas para fugir da rotina. E a receita é simples: deixar os problemas de lado e pôr as panelas no fogão.
Na sociedade antiga, lugar de mulher era na cozinha; mas, com o passar dos tempos, elas estão, cada vez mais, ocupando os lugares que antes eram exclusivos dos homens. Elas estão à frente de empresas e universidades. O homem também teve que se adaptar e ocupar alguns lugares de domínio feminino. A cozinha é um deles.
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| Ibanês prepara a refeição para a família |
Ibanês Pavinato, que tomou posse como o diretor da confraria no início do ano, nos recebeu em sua casa, onde acompanhamos o preparo de um almoço para a família. Ibanês construiu uma área exclusiva para ele, na parte dos fundos do pátio, onde dispõe de todo o aparato necessário para o preparo das refeições e de um espaço aconchegante para receber os amigos e servir as receitas elaboradas. A cozinha, digamos ‘oficial’, fica em outro ambiente, dentro da casa.
Para ele, a gastronomia é uma ciência que não precisa de sofisticação. “O grande segredo da gastronomia é praticar”, comenta Ibanês sem desprender a atenção dos preparativos para o almoço. Enquanto conversávamos, ele preparava os ingredientes e temperos. A família acompanha, com certa distância, o “cozinheiro do lar”. A esposa, Serjane, descansa tomando chimarrão e o filho, Marcus Vinicius, vez por outra busca algum ingrediente para a receita. “Agora minha mãe não cozinha mais”, conta o filho do casal. Vinicius diz que passa mal de tanto comer, quando vira “cobaia” dos confrades, reunidos em sua casa para experimentação de novas receitas. Mas ele não reclama; pelo contrário, acha muito legal e diz que também se garante na cozinha. “Não é só no Miojo”, brinca.
Livros, jornais e revistas de gastronomia estão presentes na rotina da casa. Ibanês sugeriu para a esposa participar do curso de gastronomia feminina, que o União está oferecendo, mas ela diz dispensar o convite, pois já tem o cozinheiro oficial da casa. O Cook diz que “ir para a cozinha é uma terapia”, onde relaxa e aproveita os momentos de descontração. “A gente sempre cozinha para alguém. É uma forma de carinho com a família”, conclui Ibanês.
Conversa vai, conversa vem e o cozinheiro continua atento ao trabalho minucioso. Depois de aproximadamente duas horas de preparo, a refeição pode ser apreciada. Ao som de música brasileira no DVD, a família almoça e conversa, aproveitando o momento de descontração do final de semana.
Além da apresentação caprichada, para iniciar, uma salada com lâminas de abacate, rabanete ralado, pepino, repolho e pimenta. O prato principal fica por conta de uma “Quiche de bacalhau à Dom Hilário”, nome inventado por Ibanês, na hora, em homenagem ao cunhado de que é o responsável por enviar o bacalhau do Rio de Janeiro para a família Pavinato aqui no Sul.
Para encerrar, uma sobremesa prática e saborosa: sorvete coberto de calda de chocolate, com um toque especial de Amarula. Resultado: uma ótima refeição em família, fechando com chave de ouro e sorriso no rosto. Quem fica sem experimentar é a cachorrinha, Sophie, que tem de se contentar com sua ração... Mas, certamente, até ela fica com água na boca.
MESA PARA DOIS, TRÊS OU QUATRO
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| Ronaldo é especialista em temperos. |
Para a ocasião, o agrônomo aposentado deixou tudo previamente separado e, com isto, receita do foi realizada rapidamente. O arroz, que é feito em uma panela elétrica com tecnologia japonesa, fica bem soltinho e não leva óleo. O tempo de preparo é o mesmo do convencional.
Nossa visita foi rápida, mas bastante proveitosa. Conversávamos com o casal, enquanto Ronaldo providenciava o Cogumelo à Provençal. Quando chegamos, uma parte do prato, o funghi recheado com quatro queijos, já estava quase pronto. A receita consta no primeiro livro da confraria, lançado em 2001, chamado “Cooks: cozinhando em Porto Alegre na virada do Milênio”. Depois deste, o livro chamado “Homens na cozinha”, de 2005, foi lançado para comemorar os 10 anos da confraria. Em ambos, diversas receitas para auxiliar no preparo de deliciosas refeições.
Na apresentação do jantar, Ronaldo começa com uma salada de tomate, que é receita da avó, vinda de Napoli, na Itália. Em seguida, uma ricota cortada em pequenos cubos e temperada. Para completar, o prato principal: o molho de cogumelos, arroz e um toque de gergelim para finalizar.
A noite vem chegando e tudo está pronto. Apreciamos o jantar, acompanhado de suco de uva ou vinho, e para a sobremesa, um sorvete com cobertura de maçã assada, com uma leve calda, ainda aquecida, para dar um contraste com o gelado do sorvete. Sobre o prato, é distribuído um crocante de aveia, preparado especialmente pelo Cook. A esposa diz que não se importa de deixá-lo dono da cozinha. “Já fiz muitos cursos de culinária, agora deixo para ele”, comenta.
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