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Os guardas reais do dia-a-dia

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Na Inglaterra, a rainha Elizabeth possui centenas de homens na equipe da Guarda Real. Eles são conhecidos pelas roupas vermelhas e seu grande chapéu preto e, também, por manterem-se imóveis – como se fossem estátuas – durante todo o turno de trabalho. Nada os tira a concentração, por mais que alguns turistas façam caretas e palhaçadas na frente deles. A disciplina é tão rígida que não mexem um músculo sequer. Ainda bem que a cultura daqui não é a mesma de lá.

Fora da Inglaterra, a rigidiz não é tão expressiva, o que permite aos guardiões, seguranças e porteiros uma certa flexibilidade no trabalho, podendo ter momentos de conversa e descontração, mas sem descuidar do ofício. Em muitas empresas, no entanto, é necessário que o porteiro tenha um certo jogo de cintura. É o caso do Grêmio Náutico União (GNU), onde conversamos com alguns dos guardiões. Alex Sandro Da Silva La Ronde, 30 anos, um dos responsáveis por recepcionar os associados e funcionários antes da travessia da barca em direção à sede da Ilha do Pavão. “Os dias de mais movimentos são as quintas - em função do Almoço dos Ilheiros - e nos fins de semana e feriados. O que eu mais gosto nesta atividade é de estar em contato com as pessoas”, conta o funcionário que trabalha há cinco anos no União.

 

“Os guardiões”, Alex, Paulo e Ericson

 Arte de Robinson Cardoso sobre fotos de Tiago Dias

Na outras sedes não é diferente. O bom porteiro deve gostar do que faz, e, principalmente saber lidar com o público. Parece que esta receita Ericson Santos, 26 anos, um dos porteiros de sede Alto Petrópolis, já aprendeu. “Aqui a gente conversa com pessoas diferentes, cria um relacionamento de amizade com os associados e com os colegas. Tem muita história pra contar”, comenta. Santos diz que fica sabendo da vida das pessoas, dos vizinhos, por que eles fazem questão de contar. “Esse aqui é meu filho, que veio de São Paulo...” exemplifica com uma das frases dita por um freqüentador do clube. Há quase quatro anos trabalhando no clube, ele diz que, no aniversário, já recebeu alguns presentes dos associados e que, quando ele não está, os frequentadores perguntam por ele.

Na sede Moinhos de Vento, Paulo Silbermann, 45 anos, é um dos porteiros do clube. Ele trabalha há 20 anos no União, tempo suficiente para conhecer muitas pessoas. O contato com o público é tanto que até mesmo fora do local de trabalho as pessoas o reconhecem. “Na rua, no centro e uma vez até no shopping os associados me cumprimentam pelo nome”, comenta. Ele também diz que, durante esse tempo todo, ele acompanhou o crescimento algumas pessoas. “Muita gente que eu vi crescer agora trazem seus filhos para o clube. Às vezes eles me reconhecem, mas eu não lembro dos nomes”, conclui. Também pudera, ao longo destes anos, muita gente passou pelas portarias do Grêmio Náutico União. E se depender destes guardiões sempre vão ser bem recepcionados.

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